Foi lançado recentemente o livro A usina não morreu… – Trabalho, história oral e patrimônio na Usina Açucareira Paredão (1933 – 2020), do autor Rafael Giovanetti Teixeira, que apresenta através do livro uma reconstrução da trajetória por meio dos relatos de trabalhadores e da história social do trabalho. Com uma abordagem envolvente e embasada, o autor resgata o passado para reflexão sobre o de um patrimônio histórico da nossa cidade de Oriente.
Rafael é professor e pesquisador da área de humanidades graduado em Ciência Política e Sociologia pela Universidade Federal da Integração Latino Americana (UNILA) e mestre em História pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Ele explica sua relação com a Usina “vem de família, que viveram nas colônias e trabalharam nas dependências do parque agroindustrial por gerações. Apesar de ter nascido em Marília, toda minha família é de Oriente. Hoje vivo neste município e tenho a cidade como cidade natal”, disse.
O autor tem a Usina como objeto de estudo desde 2016. Ele conta que “precisei eleger um objeto de estudos para a disciplina de Métodos Qualitativos em Ciências Sociais, mas desde muito cedo ouvi as histórias dos meus tios e avó sobre “os tempos da Usina” .
Foi saindo da região para estudar fora que me defrontei com tudo aquilo que ouvi, de como era único e especial. Logo buscando fontes escritas sobre tantos causos e memórias, percebi que pouco ou quase nada havia sido feito, que faltava alguém para contar aquela história e me prontifiquei a fazê-lo”, explicou.
Ainda em 2017, Rafael escreveu sobre sobre as condições de vida e trabalho da Usina Açucareira Paredão para o seu trabalho de conclusão de curso na UNILA e em 2019, quando ingressou no Programa de Pós-Graduação em História da UFG para escrever especificamente a história da Usina Açucareira Paredão. Em 2021, defendeu a dissertação que compõe o conteúdo e o título do livro recém lançado “A Usina não Morreu… Trabalho, História Oral e Patrimônio na Usina Açucareira Paredão (1933 – 2020)”.
Resumo do livro pelo autor
A Usina Açucareira Paredão, localizada na cidade de Oriente, Estado de São Paulo, foi um complexo agroindustrial criado em 1933 durante a expansão da fronteira agrícola paulista no início do século XX. Manteve suas atividades industriais até 1991, quando passou a substituir os canaviais por pastagem. Durante suas 58 safras de funcionamento, compreendeu no interior da propriedade moradias e serviços de assistência social para as famílias trabalhadoras sob a fiscalização do Instituto do Açúcar e do Álcool.
No ano de 2020, foi vendida para a Bracell para o plantio de eucalipto, colocando em risco as edificações do passado agroindustrial remanescentes na propriedade. Diante comoção da sociedade e da impotência perante a possibilidade de destruição deste lugar de memória (Noha, 1984) esta obra busca recuperar a história dessa usina a partir da compreensão dos modos de vida das famílias trabalhadoras que residiram neste complexo agroindustrial.
A análise realizada por meio do aparato teórico e analítico da história social do trabalho, envolve as transformações das relações de produção, trabalho e residência a partir do regime de trabalho singular que conformou a região, o colonato. Outrossim, a partir as fontes primárias levantadas e as entrevistas construídas a partir do método de história oral para esta investigação, ressalta-se a potência que as memórias, histórias e edificações representam como patrimônio industrial.
Como adquirir o livro?
A oportunidade de transformar a dissertação em livro aconteceu em 2025 pela Lei de Incentivo à Cultura Aldir Blanc de Oriente, que possibilitou o capital inicial para as tiragens lançadas pela Editora Letramento, compondo a coletânea “Sobre Patrimônios”.
O livro está disponível para compra no site da editora – www.editoraletramento.com.br – link completo – https://www.editoraletramento.com.br/a-usina-nao-morreu-trabalho-historia-oral-e-patrimonio-na-usina-acucareira-paredao-1933-2020
O mesmo também encontra-se disponível para empréstimo na Biblioteca Municipal Manuel Bandeira de Oriente – Rua Mário Reis – Centro.