O agronegócio brasileiro segue como um dos principais pilares da economia nacional. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o setor foi responsável por aproximadamente 29,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2025. A cadeia produtiva reúne mais de 28,6 milhões de trabalhadores e abrange desde a produção no campo até a indústria de insumos, agroindústrias, logística, armazenagem, transporte e comercialização.
Esse protagonismo econômico ganha vitrine em eventos de grande porte, como a Agrishow, realizada anualmente em Ribeirão Preto. A feira se consolidou como um dos maiores encontros de tecnologia agrícola do mundo, reunindo mais de 197 mil visitantes de todas as regiões do Brasil e de mais de 50 países. O ambiente concentra fabricantes, produtores, instituições financeiras, empresas de tecnologia e prestadores de serviço, criando um ecossistema de negócios que vai muito além da exposição de máquinas.

Na avaliação do empresário do agronegócio Ulisses Machado, o “Ulisses do Rodeio”, o modelo implementado em Ribeirão Preto demonstra, na prática, como um evento setorial bem estruturado pode transformar a dinâmica econômica de uma cidade e de todo o seu entorno. “Não é apenas uma feira. É uma engrenagem que conecta indústria, crédito, inovação e produtor rural em um único espaço, com impacto direto na geração de renda”, observa.
O reflexo é imediato na economia local. Durante os dias do evento, a rede hoteleira costuma atingir 100% de ocupação, enquanto restaurantes, empresas de transporte, casas de eventos e o comércio em geral registram aumento significativo na demanda. Além dos negócios fechados dentro do parque de exposições, há um forte movimento indireto, com milhares de trabalhadores envolvidos na montagem, operação e desmontagem da estrutura, ampliando a circulação de recursos na região.
Outro diferencial está na capacidade de atrair público por meio da inovação. A feira se tornou palco para o lançamento de tecnologias voltadas ao aumento de produtividade, eficiência operacional e sustentabilidade. Soluções baseadas em dados, automação e inteligência artificial ganham destaque, especialmente aquelas focadas no uso racional de recursos como água e energia, além do atendimento a novas exigências ambientais e de mercado.

Para Ulisses, o case de Ribeirão Preto comprova que o interior paulista possui vocação e estrutura para replicar esse formato em outras regiões estratégicas. “Nós temos polos fortes no interior de São Paulo que poderiam sediar eventos com o mesmo padrão, movimentando hotéis, restaurantes, comércio e gerando empregos temporários e permanentes. O que falta, muitas vezes, é visão e planejamento. Cidades que não adotam esse modelo deixam de aproveitar uma oportunidade concreta de impulsionar a própria economia e fortalecer o agronegócio regional”, critica o empresário.