As Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) que estão em andamento na Câmara Municipal de Pompeia foram prorrogadas para mais 180 dias, após requerimentos de Plínio Arf Leal (PODEMOS) e Willian Inácio de Souza “WI (PODEMOS). A aprovação da extensão dos prazos aconteceu na sessão ordinária desta segunda-feira (31).
CPI da Farra dos Combustíveis
O vereador Plínio apresentou o requerimento 270/2026, que solicitou a prorrogação do prazo de funcionamento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI DOS COMBUSTIVEIS), constituída para apurar irregularidades relacionadas a gastos com combustíveis, realizados pela Prefeitura Municipal de Pompeia, no ano de 2024.
Plínio explicou: a prorrogação se faz necessária para a análise completa do objeto da apresentação do relatório e ressalto que esse vereador a frente da CPI, fará cumprir o regimento interno desta Casa.
O mesmo foi aprovado por 8×2. Votaram a favor: Carlos Eduardo “Kadu”, Nilson Fernandes, Rodolfo Marino, Luís Guilherme Bonfim, Plínio Arf Leal, Willian Inácio de Souza, Sidney Shiro de Souza e Waldemar Merencio. Votaram contra: José Paulino Pereira e Jorge Noboru.
Esta CPI investiga os gastos da administração Isabel Cristina Escorce “Tina”, com combustíveis. Recentemente o Ministério Público (MP) apontou possíveis irregularidades nos gastos com combustíveis realizados pela Prefeitura de Pompeia durante a gestão da ex-prefeita. Foram gastos apenas em 2024, o total de R$ 1.126.052,70 (um milhão, cento e vinte seis mil e cinquenta e dois reais, e setenta centavos) valor considerado elevado e que motivou a apuração. Segundo o Ministério Público, ao comparar o período investigado com o mesmo intervalo da atual gestão, foi identificada uma diferença que varia entre R$ 800 mil e R$ 870 mil a mais em gastos com combustíveis na administração passada.
CPI das Apostilas
Já o vereador WI pediu a prorrogação da chamada CPI das Apostilas, constituída para apurar irregularidades acerca da aquisição de sistema de apostilas pela Prefeitura Municipal de Pompeia, no ano de 2022.
Ao fazer o uso da palavra, WI foi firme: como presidente e tendo responsabilidade sobre a CPI eu fui entender mais o caso. Fui ler o regimento interno e se é maior do que qualquer parecer jurídico. O regimento interno foi criado por homens que passaram antes de nós e fizeram leis … ir contra o regimento interno é permitir que nas próximas legislaturas as pessoas peguem o regimento e façam assim com ele (WI rasgou papel) porque nele fala que permite e não deve ser contado o período de recesso.
O vereador foi ainda mais direto: não estou aqui para brincadeira, quando foi para apertar o executivo eu apertei (…) e hoje cabe a mim essa CPI e dirigir ela da melhor forma possível.
WI explicou que analisou as últimas CPIs instauradas em Pompeia e todas não contaram o período de recesso e por isso desta vez também deveria ser assim: – sendo assim encaminhei requerimento para esta Casa em conjunto se deve continuar ou não, agora se tem alguma coisa pra esconder não continue, se não tem nada para esconder que continue. Este é o papel desta Casa, investigar. Estou aqui para defender o povo.
O requerimento foi aprovado por 8×2. Jorge Noboru e José Paulino Pereira também votaram contra.
A CPI das Apostilas investiga os gastos detalhadamente da gestão da ex-prefeita Tina com apostilas escolares – em 2022, foram gastos R$ 1.543.420,00 (um milhão quinhentos e quarenta e três mil quatrocentos e vinte reais), com esse material devidamente utilizado.
Relator da CPI, o vereador Sidnei Shiro de Souza “Chico Japonês” explicou:
– Durante todo esse período, fomos em busca de documentos, informações e esclarecimentos. E são muitos documentos. Analisei grande parte desse material e sigo debruçado sobre os autos, justamente para que nenhum detalhe importante seja deixado de lado. Na última reunião da CPI, pontuei a necessidade de documentos complementares, além da importância de ouvir servidores e outras pessoas que podem contribuir para o esclarecimento dos fatos.
Ele seguiu: por isso, o prazo é importante. Precisamos de tempo para dar continuidade às diligências, analisar todo o material, ouvir quem precisa ser ouvido e, somente então, concluir o relatório. Não se trata de ganhar tempo. Trata-se de fazer o trabalho da maneira correta. A população merece respostas, esclarecimentos e, acima de tudo, um relatório sério, responsável e baseado em fatos e documentos. Como relator, vou continuar trabalhando para que a CPI cumpra o seu papel e para que a verdade seja esclarecida.
Jorge Noboru exalou tensão e votou contrário
Vereador ligado ao grupo da administração passada, Jorge Noboru votou contrário a prorrogação. Visivelmente tenso, com muitas palavras travadas, ele argumentou citando parecer jurídico que o prazo já estaria esgotado, inclusive pedindo que fossem destacados e discutidos outros requerimentos.
A reportagem conversou com algumas pessoas que acompanharam a votação. Eles afirmaram que Jorge parecia pressionado para tentar a encerrar as CPIs. Ele citou até que seria crime estender de forma injustificada a investigação, claramente tentando barrar as CPIs.