Aumento de moscas acende alerta em Bastos e municípios do interior paulista

Sindicato Rural lança campanha “Todos Contra as Moscas” e setor avícola reforça medidas de controle em um dos maiores polos produtores de ovos do país

O aumento da presença de moscas vem mobilizando produtores rurais, órgãos públicos e moradores de diferentes municípios do interior paulista em 2026. Em Bastos, um dos principais centros da avicultura de postura do Brasil, o Sindicato Rural lançou a campanha “Todos Contra as Moscas” e definiu, após reunião com produtores, medidas para intensificar o controle e ampliar a conscientização sobre o problema.

A mobilização ganha dimensão ainda maior devido à concentração da atividade avícola na região. Bastos possui atualmente mais de 60 produtores de ovos. Parte das granjas também se expandiu para municípios vizinhos, formando um polo que inclui Tupã, Iacri, Quatá, João Ramalho, Osvaldo Cruz, Parapuã, Queiroz, Rancharia, Rinópolis e Martinópolis. O combate das moscas ganhou espaço também nas discussões técnicas da avicultura.

Em agosto, a Associação Paulista de Avicultura, a Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo e o Sindicato Rural de Bastos promoveram o III Encontro Técnico de Produção de Ovos, incluindo entre os assuntos da programação estratégias específicas para o controle de infestações de moscas nos aviários.

Os relatos registrados neste ano mostram que a situação não está limitada ao polo de Bastos. Em Bariri, a Prefeitura confirmou o aparecimento de grande quantidade de moscas em diferentes bairros e acionou Agricultura, Meio Ambiente, fiscalização e Defesa Agropecuária para investigar possíveis focos. Outras cidades do interior, entre elas Pompeia, também vêm registrando reclamações e ampliando ações de acompanhamento e controle.

O cenário de 2026 tem chamado a atenção justamente pela intensidade das reclamações e pela ocorrência do problema em diferentes localidades. As condições ambientais podem influenciar diretamente a reprodução desses insetos. Temperaturas mais elevadas favorecem o desenvolvimento das moscas quando encontram condições adequadas de umidade e matéria orgânica, tornando o manejo preventivo ainda mais importante em propriedades com grande concentração animal. Estudos sobre instalações avícolas mostram relação direta entre temperatura, condições do esterco e desenvolvimento das populações de moscas.

Por isso, especialistas e órgãos ligados ao setor defendem o chamado manejo integrado, que não depende de uma única medida. Entre as ações estão controle da umidade do esterco, manejo adequado dos resíduos, limpeza das instalações, monitoramento por armadilhas, controle de larvas e utilização criteriosa de produtos para insetos adultos.

A campanha lançada pelo Sindicato Rural de Bastos reforça justamente a necessidade de uma atuação conjunta. Em uma região onde a produção de ovos possui forte peso econômico e emprega milhares de pessoas direta e indiretamente, o desafio é conciliar a atividade produtiva com ações permanentes de controle sanitário e redução dos impactos sobre as áreas urbanas e rurais próximas.

A mobilização registrada em Bastos, Bariri e outros municípios mostra que o aumento de moscas em 2026 vem sendo tratado como uma questão regional, exigindo acompanhamento contínuo, participação dos produtores e atuação coordenada dos órgãos responsáveis.

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